Planta Livre
Fundadores

Um teste à resistência

A história do homem que nasceu em Cabeceiras de Basto em 1974 e decidiu reescrever o guião que a vida lhe tinha preparado.

Cabeceiras de Basto. 1974. Ano da revolução — a dos cravos e a de um filho que nasceu com vontade de contrariar as odes. Se for possível nascer-se já com foco e rigor, então foi isso mesmo que aconteceu.

Armindo Gonçalves nasceu e cresceu numa casa sem climatização, onde pessoas e animais conviviam e o frio passava no intervalo entre eles. Nascia o 7.º de 8 irmãos. Nascia mais um para ajudar na lavoura, com os vitelos e com a casa. A escola, aquela a 4 km de distância, era só para aprender a ler, a escrever e a escrever rápido, que quando chegasse a casa havia terra para cuidar.

Isto era o que estava escrito, previsto, o expectável. Mas Armindo Gonçalves quis reescrever a sua própria história.

Disciplina e rigor

Fazia os 4 km a pé fizesse chuva, geada, neve ou muito sol. Fazia-o por gosto. Fazia-o porque sabia, lá no fundo, que havia mais. Que não podia ser só aquilo. Que havia de ser diferente.

Enquanto estudava, trabalhava. Acabou os estudos com uma perna na escola e outra na construção civil. O pai bem lho disse: "não penses que te vou ajudar". Saiu de casa aos 17, sem qualquer tipo de apoio financeiro. Sabia lá ele, o seu pai, que não ia ser preciso, mesmo, ajuda nenhuma.

Inspirava-se, e inspira-se, na mãe e principalmente nas bisavós. Eternizaram-se pela generosidade — eram mulheres de dar. Escusado será dizer, portanto, que estamos perante um feminista.

"Porque é que tens de começar tão baixo?", perguntava-se todos os dias. Fazia tudo parte deste plano maior, sabe agora.

Acabou por ingressar no exército português. E, mais uma vez, enquanto esperava resposta, trabalhou. Trabalhou sempre. Chegou a oficial. Mais provas fossem precisas de disciplina e rigor. Comandou homens. Os melhores homens, dizia a média.

E foi aí que percebeu, muito antes de pisar um jardim: sou de pessoas.

Coragem de não desmobilizar

Deixou o exército e mudou-se para Sintra, onde começou como jardineiro. Aprendido o ofício, faltava o resto. Mas faltou por pouco tempo. Decidiu rapidamente fazer formação empresarial. Agora sim, apenas com 24 anos, tinha todos os ingredientes para criar a sua primeira empresa.

Desafiou o irmão mais novo, Augusto Gonçalves, a criar a Ideal Jardins. O sócio, que mantém até aos dias de hoje, 28 anos passados, é "um extraordinário braço direito".

Organizaram-se. Investiram tempo e cabeça. Rodearam-se de quem os acompanhava intelectualmente. E é aí que tudo começa.

Cliente aqui, cliente ali, a carteira foi-se compondo. Ergueu a Planta Livre em 2006 porque precisava de plantas. Uma coisa dá de beber à outra e dúvidas houvessem de que estávamos perante um visionário.

Estávamos em 2008 quando aqueles pulmões, agora com 37 anos, tiveram que se encher de ar para lidar com a crise — o subprime. Enormes perdas financeiras, imparidades de clientes, redução drástica e dramática da procura. Mesmo assim, sem desmobilizar e sem qualquer tipo de incumprimento, aquilo que previa uma faturação cortada a 50%, baixou apenas 25%.

São 28 anos e um cadastro de persistência e resiliência — tanto da empresa, como do seu fundador.

Vamos resistir, mesmo no meio da tempestade.

Bem dito, bem feito. Com o coração no sítio certo, havia de lá chegar. E chegou. Sempre de coração e pelas pessoas. O motor do Sr. Armindo são as pessoas. O bem-estar delas. A felicidade delas. Sempre o outro. Sempre.

A família, os amigos, o legado

E há que falar da família. Quando se fala do Sr. Armindo, tem que se falar da família. Trabalha há 28 anos com a mulher. Os filhos, juntaram-se mais tarde por vontade própria. Inspiram-se uns aos outros e, para quem está de fora, não só é lindo como dá uma certa inveja boa.

O Sr. Armindo é sinónimo de altruísmo. Digo-vos eu e, ponho as minhas mãos no fogo, todas as pessoas que passaram e passam todos os dias na Planta Livre. Clientes, colaboradores, parceiros e amigos — para o Sr. Armindo, podia dizer só amigos. Porque é assim que nos vê.

É um homem feliz e "diverte-se a trabalhar". Fará sentido viver de outra maneira?

O legado que nos deixa é o de olhar sempre para os lados.

E o das relações.

Do amor.

O que pedir mais?

Bárbara Vaz Pereira

Diretora de Marketing e Comunicação da Planta Livre

2026

Assinatura — Bárbara Vaz Pereira